// TECER AGRADECE

13/10/2009

A equipe do projeto agradece a participação de todos que estiveram presentes conosco nessas duas semanas de setembro. Cerca de 2.000 pessoas passaram pelas sessões no Cine Humberto Mauro e participaram do ciclo de debates na Sala João Cesciatti. Parafraseando Clarisse Alvarenga, “já estamos sentindo saudades daquele querido mês de setembro no Palácio das Artes”.

Esperamos revê-los no próximo ano!

// 12/09 Abertura do Projeto Tecer com a  exibição do filme português “Aquele Querido Mês de Agosto” e debate com Ilana Feldman.

Fotos Projeto Tecer

// 17/09 Pré-estréia do filme “Mulher à Tarde”, dirigido por Affonso Uchoa, seguido de debate com a equipe do filme após a sessão.

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// 18/09 // Debate com José Carlos Avellar após a exibição do filme “Iracema, uma Transa Amazônica”.

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// 21/09 “O Singular e o Comum” // Debate com Cláudia Mesquita, Carlos Nader e Alexandre Veras, apresentação André Brasil.

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// 22/09 “O Roteiro, ainda?” // Debate com Cézar Migliorin, Eduardo Jorge e Cléber Eduardo

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// 23/09  “A invenção da Cena” // Debate com André Brasil, César Guimarães e Stella Senra.

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// 26/09  Exibição do filme “Santiago” // debate com João Moreira Salles, Cao Guimarães e Clarisse Alvarenga após a sessão

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// Equipe do Projeto Tecer

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// O roteiro, ainda

03/10/2009

A segunda mesa do Ciclo de Debates organizado pelo projeto TECER problematizou a utilização do roteiro nas produções atuais. Abaixo, disponibilizamos o texto de Eduardo Jorge, um dos convidados da mesa, produzido para enriquecer essa discussão.

Roteiro, ainda.

por Eduardo Jorge

O ponto de partida para esta conversa é uma proposição, melhor, algumas variantes desta proposição para pensar o roteiro ou que tipo de problema se pode armar em um território que dialoga com os limites do literário, isto é, se se quer pensar a palavra como fantasma da imagem. Para trazer ainda uma imagem, trago ainda a imagem do branco, da leitura cega da câmera, examinando a luz, em geral, motivada pela celulose (a página do verso do roteiro?). A proposta seria pensar o roteiro ainda como uma forma formante e pensar numa coreografia que desestruturasse seu corpo, baseado em alguns tópicos. Apontar o roteiro como território levanta uma questão do que está neste território, no que há nele de comum para o encontro, para a comunicação da equipe, para a convergência de interesses estéticos, políticos e econômicos. Portanto, a partir disso e contra isso, o roteiro arma alguns problemas. Daí surgem cinco esboços para uma conversa:

Um roteiro pode marcar uma origem, mas uma origem como torvelinho.
O primeiro problema a ser posto: o da cronologia. Como pensar o tempo da escrita do roteiro com o tempo da filmagem? Ou, ainda como pensar cada um destes tempos como uma escrita e que, com a constituição das duas não criamos uma redundância. Esta redundância, de ordem estrutural, não seria uma armadilha? Seria o roteiro linhas pontilhadas aguardando ser cobertas? Daí a possibilidade de desvio, na hora de contornar, gerar outros tempos, inscrever o que resta deste roteiro na ordem de uma heterocronia, num gesto infantil de se recusar a cobrir a imagem.
Este gesto de seguir a linha pontilhada elabora novos pontos, porque o torvelinho é assim, não deixa a origem do ponto fixa. Traz novas questões no mesmo movimento circular. Inclusive a necessidade de se pensar outros tempos para o roteiro. Daí a pergunta: Que tipo de outros embates e/ou temporalidades pode-se provocar no estado roteiro que não apenas a estruturação das experiências e dos desejos?

Um roteiro pode marcar um cansaço de sua própria história.
O segundo problema que se desdobra do primeiro: a mediação, a necessidade de estruturar uma ideia para que ela possa enfim, organizar o mundo ou minimamente fazer o seu recorte. Cobrir a imagem cansa porque repetir cansa. Não seriam as imagens e os sons que escreverão realmente o filme? O roteiro está sob o risco do real, e, deste modo, seu maior mérito e maior problema talvez seja a sua constituição enquanto projeto mediúnico entre mundos. A finalidade maior do roteiro seria sua constituição como projeto (pro-jetar), antes de se lançar em campo. Seria ele uma mediação da potência ao ato. Precisa-se desta mediação?

Um roteiro pode ser um campo de profecias.
O terceiro ponto: precisamos de novas imagens? com a cultura baseada na imagem, o mundo ainda continua inundado com a verborragia, pois a mais simples das palavras (o mais banal e transparente dos motivos do conhecimento) recebe forma visual suficiente (T. J. Clark). A pergunta diante desta questão é: “porque escrever?”, e esta questão se transforma: “como escrever?”. Afinal, não seria a imagem aquilo que me faz imaginar? Que cria novas situações de deriva para o olhar que, inclusive, apontam para um porvir de outras imagens?
Esta inquietação se relaciona com a quinta: no que diz respeito ao uso do documento como delírio, inserindo-o na ordem do acontecimento, ou ainda pensar o que Georges Didi-Huberman chamou de “devir documento”, em “A emoção não diz eu”: “os artistas não apenas utilizam os documentos da atualidade, com o que se mantém “frente à história”, mas também produzem inteiramente, com o que não apenas contemplam o acontecimento, e sim intervêm, em contato com ele.” É nesse aspecto de intervir em pleno acontecimento que a imagem se realiza como profecia e que a imagem se torna prospectiva em sua poética, isto é, seu fazer.

O roteiro como princípio de escavação.
O roteiro é/pode ser a chance de escavar um tema (no tema entra o próprio cinema) e esse movimento de escavação é sem fim, ou seja, a própria escrita se inviabiliza em meio ao seu acúmulo. Frente a isto, poderia se pensar que do ato de escavar com o roteiro fica o gesto: o gesto de escavar. Restando o gesto, pode-se escavar a imagem inclusive sem palavras.  Neste aspecto, a imagem pode não ser apenas uma ilustração de uma palavra, ela seria gesto.

Como o roteiro mede nossa capacidade de lidar com o arquivo, com o documento?
“Nunca há um documento de cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento de barbárie”. Ainda retomando a tese VII de Sobre o conceito de história, de Walter Benjamin. Como pensar o documento em uma perspectiva de arquivo, em uma imagem prospectiva? Como mobilizar esse arquivo de modo arqueológico, anacrônico e prospectivo no campo das imagens? A imagem de hoje já é arquivo. E isso instaura um paradoxo, ao mesmo tempo em que nasce morta e é dela que se tira o movimento de vida. Organizar o mundo das imagens: precisamos de um roteiro para isso? Ou, ainda, como tornar de modo mais intrínseco, em uma luta de experiências, documento e arquivo no devir da imagem, seja documentário, ficção, poema. Enfim, o roteiro pode muito bem ser um caderno etnográfico que, ao invés de ser apenas o elemento estruturante, monta heterocronias da imagem.

Referências:
BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de História. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1996. pp. 222-232.
DIDI-HUBERMAN, Georges. La emoción no dice “yo”. La política de las imagénes (Sobre Alfredo Jaar). Chile: Metales Pesados, 2006. pp. 39-67.
CLARK. T. J.  Modernismo, pós-modernismo, vapor. Revista Ars. Número 8. São Paulo: USP, Disponível em http://www.cap.eca.usp.br/ars8/clark.pdf

// Aquele Querido Mês de Agosto Estréia em BH

25/09/2009

No interior de Portugal, o mês de agosto é marcado por diversas festividades, com apresentações de grupos musicais tradicionais e outras atividades típicas. Movido pelo desejo de fazer um filme ambientado neste universo sobre o relacionamento entre membros de uma banda, o diretor parte com a sua pequena equipe em busca de um roteiro e de atores dispostos a interpretar os personagens. Em meio a inúmeras indecisões e falta de verba, toma forma a história de um triângulo amoroso formado por um homem, sua filha e o primo da moça.

Onde está passando (semana do dia 25/09) | Usina Unibanco de Cinema // Usina 01 // 15h20, 18h20, 21h15

// MOSCOU

16/09/2009

Moscou é o 11º longa metragem de Eduardo Coutinho. No filme Coutinho acompanha o Grupo Galpão por 3 semanas, durante os ensaios da peça  As Três Irmãs, escrita por  Tchekhov e dirigida por Enrique Diaz. A montagem da peça, por sua vez, foi proposta por Coutinho, para a realização do documentário, que se compõe de fragmentos dos workshops, improvisações e ensaios de uma peça que não teve e nem terá estréia. Ao propor a idéia ao Galpão, Coutinho deixou claro que o interesse maior era a experiência da peça e não o resultado final. Seu olhar está na construção, no caminho (embora nunca explicitado), e não na chegada em si.

MOSCOU foi exibido na mostra do projeto TECER, no dia 15/09, em uma sessão lotada no Cine Humberto Mauro, seguido de um debate entre os atores do Grupo Galpão e a pesquisadora Júnia Torres.
Abaixo segue o trecho de uma entrevista feita por  AMIR LABAKI a EDUARDO COUTINHO.

AL// O que catalisou seu desejo de acompanhar com a câmera os bastidores de um ensaio teatral?
EC// Não sei responder com certeza. Fatores conscientes e inconscientes. Fazer um filme sem o que se costuma chamar de entrevistas. Perder o controle ainda mais, no caso, em favor do Enrique Diaz e do elenco. Questão de ator, personagem e sujeito. Missão difícil: grande texto de camara para um grupo que veio do teatro de rua, dos grandes gestos. Enfim, na montagem final, optar – com ajuda do João – por não ser um filme sobre os bastidores de um ensaio. Na verdade, todo o processo de bastidores está apenas implícito no filme. Interessam os fragmentos, e não importa que os espectadores não entendam muito bem a história da peça ou os detalhes do processo criador. Interessam justamente as lacunas, os buracos e as repetições. Nisso tem algo de Tchekhov: sem trama e sem desenlace.

AL// Por que o Galpão?
EC//Escolhemos o Galpão porque é um grupo teatral respeitável, com 25 anos de trabalho conjunto. Em segundo lugar, tem um teatro cujas poltronas podiam ser removidas em poucas horas, tornando-se um espaço vazio com vários “palcos” possíveis. Além disso, o Grupo aceitou com prazer participar do filme nas condições suicidas propostas: três semanas de filmagem. E só no primeiro dia os atores ficaram sabendo qual era o texto escolhido.

AL// Os títulos de seus filmes são sempre muito concretos. “Moscou” parece muito mais simbólico. Qual sua intenção ao escolhê-lo?
EC// O título é uma invenção do João Moreira Salles, que eu achei ótima. Antes, o título-fantasia (pré-capacitação de recursos, etc.) era “Antes da estréia” (e era ruim). É um título concreto – muito mais simbólico é “A gaivota”, outra grande peça do Tcheckhov. Concreto porque a obsessão das três irmãs é voltar a Moscou, que aparece na peça a todo momento. Só em segundo grau é simbólico, porque nunca se chega a Moscou, se é que Moscou existiu ou existirá algum dia. Finalmente, “Moscou” é um título que provoca a imaginação.

///

Confira os links de alguns ensaios e críticas publicados na revista Cinética sobre o filme:

http://www.revistacinetica.com.br/moscoufabio.htm

http://www.revistacinetica.com.br/conexaomoscou.htm

http://www.revistacinetica.com.br/moscouvalente.htm

http://www.revistacinetica.com.br/moscouilana.htm

// Aquele Querido Mês de Agosto

13/09/2009

A Mostra Os filmes que procuramos, os filmes que nos procura foi lançada ontem, dia 12/09/09, no Cine Humberto Mauro, com a pré-estréia do filme português Aquele querido mês de agosto. Ao final da sessão, a pesquisadora Ilana Feldman compartilhou conosco o seu ensaio sobre o longa de Miguel Gomes, A alteração como princípio (ou como a terceira margem do rio Alva), publicado esse mês na Revista Cinética.

Controla-te, controla-te!, estas são as últimas palavras ditas pelo personagem Miguel Gomes, diretor de um filme que está sendo feito, ao personagem de seu captador de som, Vasco Pimentel. O filme que está sendo feito, e que só aos poucos vai se formando em nós, é o filme a que estamos assistindo, evidentemente – com a diferença de que, agora, o mês de agosto já terminou. Agosto, mês das férias escolares do hemisfério norte e auge de seu verão, é, portanto, o mês da imaginação, dos sonhos, das brincadeiras de criança, da fabulação. Como diz a música de Tony Carreira, tocada pela primeira vez no filme sobre a imagem de um caminhão vermelho em movimento (plano que sucede um desenho, feito por um menino, de um caminhão do corpo de bombeiros), “Se eu pudesse voltar, de novo sonhar, o faria mesmo, podem crer, e aquele menino eu voltaria ser”.

Assim, disfuncional e distante do utilitarismo do tempo da produção, o mês das férias torna-se o momento ideal para uma equipe de cinema rumar à região da Beira, interior de Portugal. Nessa viagem, com ou sem idealização, compreendemos que as férias, tal como o carnaval, nos coloca em uma situação de suspensão: suspensão das leis formais e dos códigos estéticos a que assistiremos a partir de então. Mas, é preciso lembrar, suspensão não significa ausência, tampouco displicência. Entre o controle e o rigor formal e a deriva imaginativa, Aquele Querido Mês de Agosto se faz em uma zona de indeterminação. Documentário, ficção, tudo de uma só vez?”

Acesse o texto na íntegra.

Savassi MOV

19/08/2009

 

 

 

 

Savassi MOV

 

 

 

 

 

Savassi MOV é um evento paralelo ao Savassi Festival: Jazz & Lounge composto por um seminário e um concurso de vídeo. Entre os dias 19 e 21 de agosto, acontece o seminário no Café com Letras, das 15h às 18h.  No seminário serão discutidos temas relacionados com a produção audiovisual em suas diferentes plataformas e novas tecnologias que cercam essa manifestação artística.

 

Já o concurso visa documentar o “Savassi Festival” e expandir as possibilidades criativas associadas ao festival. O concurso é regulamentado por um edital (que pode visto no site www.savassifestival.com.br) e premiará os melhores vídeos feitos do evento principal do festival, que acontece no dia 07. A inscrição para participar do concurso é gratuita bem como para o seminário.

 

 

SEMINÁRIO

 

Programação Seminário - Savassi MOV

 

19 de agosto | dia 01

 

> Introdução ao workshop e ao concurso com Hudson Vianna

> Um olhar sobre a produção audiovisual contemporânea com Hudson Viana.

> Pensando e conhecendo o novo paradigma de produção na Web - Novas tecnologias com Alemar Rena.

 

20 de agosto | dia 02

 

> Realizadores : Referências, estilos e paradigmas da produção audiovisual moderna (videoclipe, publicidade, cinema, cultura pop) com Tiago Alves e Conrado Almada

 

21 de agosto | dia 03

 

> Tecnologias e Estratégias de Produção, Divulgação e Multiplicação na Web - Fabiano Waewell (Finalizador e Desenvolvedor de Tecnologias Interativas ) Thiane Loureiro (Diretora da Edelman Digital para a América Latina)

 

 

CONCURSO

 

Os interessados deverão fazer o upload do vídeo feito  para os sites www.vimeo.com.br ou www.youtube.com.br, entre os dias 23 e 24 de setembro. Em seguinda, devem encaminhar um e-mail para hudsonvianna@gmail.com e para mov@savassifestival.com.br com o endereço para download. Seguindo todos esses passos, automaticamente o candidato estará participando o concurso.

 

O primeiro colocado receberá um vale-compra no valor de R$ 1.000,00, o segundo R$ 500,00 e o terceiro R$ 250,00 para serem usufruídos no Café com Letras. Além disso, o vídeo será exibido no sites www.cafecomletras.com.br e www.savassifestival.com.br.

 

 

SERVIÇO – Seminário

 

Evento: Seminário Savassi MOV

Local: Café com Letras – Rua Antônio de Albuquer, 781 – Savassi

Dia: de 19 a 21 de agosto de 2009

Horário: das 15 às 18h.

Valor: gratuito (sujeito a disponibilidade de lugares)

 

// BEAM DROP EM INHOTIM

30/07/2009

Compartilhamos com vocês o vídeo Beam Drop, que documenta o processo de criação da escultura de mesmo nome do artista estadunidense Chris Burden, realizada no Instituto Inhotim. O vídeo foi produzido pela Teia e dirigido por Pablo Lobato.
Com curadoria de Allan Schwartzman, Jochen Volz e Rodrigo Moura, a performance aconteceu em junho de 2008 e a escultura poderá ser vista em Inhotim a partir de outubro de 2009.

// Exposição Sophie Calle em SP

16/07/2009

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A exposição Cuide de Você acontece até o dia 07 de setembro de 2009, no SESC Pompéia - Rua Clélia 93, Pompéia, SP.

www.sophiecalle.com.br

// Sugestão de leitura

06/07/2009

André Brasil, curador da mostra e do ciclo de debates do projeto TECER, nos apresentou, no início de nossas conversas sobre o recorte da mostra, uma entrevista com o crítico Adrian Martin que gostaríamos de compartilhar com vocês.

“Adrian Martin nasceu em 1959 e sediado em Melbourne, Austrália, Adrian Martin exerceu, durante vários anos e até 2006, a função de crítico no jornal The Age. Autor de inúmeros livros sobre cinema, desde Phantasms (1994) a Raúl Ruiz: Sublimes obsesiones (2004), vem de publicar uma antologia no Chile, ¿Qué es el cine moderno? (2008), tendo sido igualmente co-editor, com Jonathan Rosenbaum, do marcante Movie Mutations: The Changing Face of World Cinephilia (2003). É também professor na Monash University, em Melbourne, e co-editor da melhor revista online de cinema, a Rouge.
A sua produção crítica e teórica caracteriza-se antes de mais pela extrema profusão e pela abrangência não dogmática de autores e estilos bastante diferentes. Mas também, e sobretudo, por uma reflexão aturada sobre a própria natureza da função crítica e, em particular, sobre as suas dinâmicas e transformações face aos novos meios. Encontram-se facilmente online vários dos seus textos críticos, bem como outras entrevistas ou o discurso de apresentação da sua recente antologia.”

A entrevista e outros escritos interessantes sobre cinema vocês podem encontrar no Blog Ainda Não Começamos a Pensar.

// pequeno comentário sobre a experiência em Guaxupé

02/07/2009

Ministrar a oficina “Limites e Poderes do Ver”, promovida pela Teia, em Guaxupé, em parceria com o Instituto 14 Bis, foi uma experiência muito rica para mim.

Primeiro pelo contato com a linda cidade de Guaxupé e com uma turma de extrema sensibilidade no modo de olhar e de se surpreender com as coisas, mesmo não se tratando de um grupo habituado às discussões do cinema (a turma apresentou uma composição bastante heterogênea: historiadores, professores do curso de letras, professores de artes, estudantes de publicidade, filosofia, teatro, comerciantes, profissionais de rádio etc).

Segundo, por poder compartilhar com esse grupo, uma discussão muito ampla sobre as transformações que a imagem passou ao longo do tempo e as consequências dessas transformações para o nosso olhar e para o desenvolvimento de novas máquinas de produção de imagens.

Nossa discussão começou com os processos de produção de imagens na sua relação com a tecnologia e com o olhar, desde a pintura medieval, que possui uma perspectiva estática, chapada, dimensionando os personagens em função da sua importância religiosa, de uma “hierarquia da glória”. Depois passamos pelas transformações da perspectiva matemática no Renascimento, pela descoberta das leis geométricas de representação do espaço com auxílio de instrumentos derivados da câmera obscura, até chegarmos no Impressionismo e sua incansável tentativa de figurar o tempo e a percepção que o artista tem do tempo a partir de uma tela imóvel.

Pintura, fotografia, cinema (clássico e moderno), vídeo/TV, infografia e imagens de síntese na internet: foi esse o processo que percorremos na tentativa de compreender as consequências das transformações sofridas pelas várias máquinas de imagens ao longo do tempo. Tentamos refletir sobre os processos de fabricação das imagens sempre com o objetivo de pensar tais processos para além da técnica, isto é, colocando a técnica em função do pensamento, do sentido que as máquinas engendram, daquilo que é específico de cada meio na sua capacidade criativa, para que possamos lançar nosso olhar e nossa percepção sobre a potência de pensamento que se expressa materialmente através das várias máquinas de imagens.

Muito obrigado à Teia, ao Serginho, Issa, Marília, Luana, Diana e Tati, que fizeram acontecer, e à toda a turma de Guaxupé, ao 14 Bis (Mauri), à Unifeg e todo mundo que deu a maior força pra essa oficina dar certo,

grande abraço,

Pedro Aspahan

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